SINDICATO COBRA MAIS MEDIDAS CONTRA COVID DA EDITORA MINEIRA ONDE GRÁFICO MORREU

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Máscaras higienizadas para 350 gráficos a cada três horas, liberação do trabalho para quem tem idade a partir de 60 anos, corpos descartáveis e a contratação de mais pessoal para limpeza. Estas e mais medidas foram exigidas pelo sindicato em reunião dias após protesto na Editora Alterosa. O STIG também aguarda inclusive a decisão da família do gráfico e sindicalista falecido sobre se a entidade processará a empresa por ter mantido João Baptista trabalhando, mesmo sendo do grupo mais vulnerável ao novo coronavírus. 112 mil pessoas já morreram no Brasil por conta da pandemia e pelo desgoverno de Bolsonaro LEIA MAIS http://www.conatig.org.br/banco-do-brasil-rompe-contrato-e-graficos-terceirizados-sao-demitidos-sem-receber-quase-r-1-milhao/

O governo mineiro, como tem feito todos os governadores brasileiros em sintonia com a política do governo federal, aposta na volta das atividades econômicas como se a pandemia tivesse regredido ou acabado, expondo à saúde da classe trabalhadora significativamente. Infelizmente, no início do mês, o gráfico e sindicalista João Baptista, da editora Alterosa, pagou com a sua vida. Milhares de gráficos temem o mesmo fim, mas continuam sendo obrigados pelas empresas a trabalhar, como acontecia com João, mesmo ele sendo do grupo de pessoas mais vulneráveis ao coronavírus.

O Sindicato da categoria (STIG-MG) apura inclusive as responsabilidades da empresa no caso, podendo até processá-la se for o desejo da família. A empresa nega. Mas como surgem novos casos confirmados de gráficos com covid-19 no local, a entidade intensificou suas cobranças na editora.

“Na semana em que João faleceu e que o Brasil registrava 100 mil mortes pelo vírus, realizamos um protesto na frente da empresa. Questionamos o porquê dela não ter liberado João do trabalho, como também cobramos mais medidas protetivas para os 350 gráficos da editora nos três turnos ininterruptos”, informa José Aparecido, diretor do STIG de Minas Gerais.

Poucos dias após o protesto, o dirigente se reuniu com a representantes da empresa, mediado por auditores fiscais do trabalho a pedido do STIG. Já era a 2ª mediação em duas semanas. O sindicato cobrava explicação para a morte do trabalhador, bem como a intensificação de medidas para que o pior não acontecesse com mais empregados. Na ocasião, já havia mais cinco profissionais do local com covid-19, sendo todos afastados do trabalho. O sindicato também cobrou o afastamento de todos gráficos com idade a partir de 60 anos (grupo de risco), sendo atendido pela empresa.

“A editora ainda nos garantiu que atendeu nosso pleito para contratação de uma profissional para a limpeza para o turno noturno, porque só tinha para o 1º e 2º turnos. Também trocou os copos de vidros por descartáveis como reivindicamos”, diz Aparecido. Outra mediação já será realizada no próximo dia 17 para concluir as medidas cobradas, como a confirmação de que disponibilizará máscaras higienizadas a cada três horas para os profissionais. A empresa só dava uma para o dia inteiro. O STIG também aguarda a entrega da relação com o nome e idade de todos funcionários.

“A retomada das atividades econômicas é importante, mas não pode se dá a todo custo. A vida humana sempre é o mais importante. Portanto, é deve de toda empresa que mantem a produção proteger de forma eficaz a saúde e a vida do seu trabalhador, cabendo ao movimento sindical a cobrança para isso aconteça mesmo”, diz Leonardo Del Roy, presidente da Confederação Nacional do Gráfico. A entidade sindical acompanha e se coloca à disposição do STIG-MG na defesa dos trabalhadores da Alterosa e demais empresa no estado, ou em qualquer lugar do Brasil.

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