CSP-Conlutas repudia todo tipo de intervenção militar

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O general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército brasileiro, usou a sua conta pessoal no Twitter para criticar a “impunidade” e afirmar que “se mantém atento às suas missões institucionais”.  A declaração ocorreu às vésperas do julgamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal) do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula.

O general destacou em outra postagem que “nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”.

As postagens, que insinuam uma interferência militar no cenário político nacional, causaram grande repercussão, inclusive, com comentários de outros oficiais do Exército, que saudaram Villas Bôas.

A postura do comandante máximo do Exército, e de outros, insinuando algum tipo de interferência das Forças Armadas, merece todo repúdio. Assim como repudiamos Bolsonaro, representante da direita mais reacionária, racista e machista, que tem feito coro com esse discurso de intervenção militar.

Os militares governaram o país de 1964 a 1985 e promoveram uma ditadura feroz, com torturas, prisões, mortes, desaparecimentos e perseguições aos trabalhadores. Casos de corrupção também eram abundantes no período, sem que houvesse qualquer tipo de apuração.

Os crimes cometidos pelo Exército seguem impunes até hoje. Arquivos secretos sobre as violações aos direitos humanos ocorridas no período continuam escondidos do público. Nenhum torturador foi punido. Portanto, como esse general fala que é contra a impunidade?

No Rio de Janeiro, o governo Temer e os militares promovem uma intervenção que nem de longe resolve o problema de violência no estado. Ao contrário.  O que vemos é o aumento da repressão aos mais pobres, execuções como a de Marielle Franco e Anderson Pedro e chacinas, como a dos cinco jovens em Maricá (RJ).  Todos os crimes estão impunes, sem que os responsáveis sejam encontrados ou punidos quase 30 dias depois.

A CSP-Conlutas repudia veementemente essas declarações e segue exigindo a punição dos torturadores do regime militar, a apuração rigorosa do assassinato de Marielle, Anderson e dos jovens de Maricá, e o fim da intervenção militar no Rio de Janeiro.

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