Após greve, metalúrgicos da Gerdau conquistam 15% de reajuste

600

Os metalúrgicos da Gerdau deram grande exemplo de luta nesta Campanha Salarial. Com sete dias de greve, eles enfrentaram a intransigência da empresa e conquistaram reajuste salarial de 15%, vale-alimentação, estabilidade no emprego por 90 dias, nenhum desconto pelos dias parados, entre outros direitos. A aprovação aconteceu em assembleia, nesta quarta-feira (19).

O acordo foi proposto pelo juiz Marcelo Garcia Nunes e negociado entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a Gerdau, em audiência de conciliação na 4ª Vara da Justiça do Trabalho de São José dos Campos, ocorrida ontem e que teve uma duração de cinco horas.

O reajuste será pago da seguinte forma: 9,62% retroativo a setembro e o restante (5,38%) será incorporado aos salários a partir de janeiro. O índice será pago a salários de até R$ 4.000. Para salários superiores, será pago um fixo de R$ R$ 600.

O vale-alimentação, de R$ 160, também é retroativo a setembro. Os trabalhadores de São José dos Campos serão os únicos da empresa em todo País a ter essa conquista. O reajuste salarial e o vale-alimentação somados equivalem a um índice total de 20,45% sobre a média salarial.

Todas as cláusulas sociais foram renovadas, mas o Sindicato e a empresa darão continuidade às negociações referentes a benefícios e à PLR 2016.

A mobilização também deu uma lição à Gerdau de respeito à liberdade sindical. A empresa não poderá descontar os dias parados e terá de retornar o diretor sindical Marco Antônio Ribeiro a seu posto original de trabalho, de onde foi tirado no último período.

Com a aprovação do acordo, o trabalho na fábrica foi normalizado no terceiro turno de quarta-feira.

Greve histórica

Esta foi a greve mais longa já realizada pelos trabalhadores da Gerdau em todo o País. A paralisação começou no dia 13, em razão da recusa da Gerdau em abrir negociação para reajuste salarial pelas Campanhas Salariais de 2015 e 2016.

No ano passado, a Gerdau havia se recusado a aplicar o reajuste de 9,88% negociado entre o Sindicato dos Metalúrgicos e o Sicetel (grupo patronal que representa o setor da Gerdau) e concedeu apenas o abono de R$ 5.300. O Sindicato chegou a ajuizar uma ação de dissídio coletivo para que a empresa cumprisse a Convenção Coletiva de 2015.

Já na Campanha Salarial de 2016, a empresa se recusava até mesmo a abrir negociação.

O reajuste conquistado agora vai contemplar as duas campanhas.

“A mobilização e unidade dos trabalhadores foram fundamentais para vencer a arbitrariedade da empresa, que não deu reajuste salarial no ano passado e queria repetir o ataque este ano. Foi uma greve histórica e um exemplo de luta. Os metalúrgicos da Gerdau mantiveram a união e, por isso, chegaram a esta tão importante conquista”, afirma o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.

Repressão

Durante a greve, os trabalhadores enfrentaram uma dura repressão por parte da empresa, que usou de assédio e chegou até mesmo a usar a Tropa de Choque da Polícia Militar contra os trabalhadores.

Em uma tentativa de intimidação, os veículos usados pela empresa para transportar os metalúrgicos foram desviados para o 46º Batalhão da PM, de onde seriam escoltados pelos policiais até a fábrica.

Trabalhadores relataram para o Sindicato que eles foram obrigados pela chefia da empresa a tomar as vans e micro-ônibus. A ação só foi cancelada com a chegada do Sindicato ao local.

Outras fábricas

Ao contrário da CUT, que fechou acordos rebaixados, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (CSP-Conlutas) vem garantindo a reposição da inflação na íntegra e aumento real. Em sindicatos da CUT, como os metalúrgicos do ABC, estão sendo negociados acordos que parcelam a inflação ou nem mesmo fazem a reposição das perdas salariais.

Em São José dos Campos, os metalúrgicos vêm conquistando acordos que variam entre 9,62% (inflação do período) e 11%.

Nesta quinta-feira (20), os metalúrgicos da Panasonic aprovaram o reajuste em assembleia. O reajuste sob o piso salarial será de 11%, passando de R$ 1.370,52 para R$ 1.521,28. Para salários de até R$ 6.976,00, o reajuste será de 10%. Acima disso, será pago um fixo de R$ 698.

Na semana que vem, haverá negociação com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que representa a Embraer e todo o setor aeronáutico da região.

Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região

Compartilhar