STIG-MG participa do ato “Ocupa Predinho”

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O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas, de Jornais e Revistas no Estado de Minas Gerais (STIG-MG) luta para que justiça seja feita aos 150 profissionais do Jornal Hoje em Dia (jornalistas, gráficos e funcionários da administração) que foram demitidos, há mais de um ano, e não receberam os seus direitos trabalhistas e nem o salário referentes ao último mês em que trabalharam.

O STIG-MG, Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Sindicatos dos trabalhadores da área administrativa e trabalhadores participaram, nesta quinta-feira (01/06), do ato que ocupou a antiga sede do veículo. O “Predinho”, termo como o imóvel foi citado na delação do empresário Joesley Batista, da JBS, foi comprado como forma de propina para o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG).

A negociação entre o político, o empresário e os antigos e atuais donos do jornal lesou os trabalhadores, que ficaram sem emprego, sem as indenizações trabalhistas e lutam na Justiça para receberem o que lhes é de direito.

Os profissionais elencaram 15 motivos que eles acreditam serem dignos de atenção, como o apoio do jornal Hoje em Dia a Aécio Neves durante a sua tentativa de chegar a presidência do país, com publicações que iam contra qualquer pesquisa de voto publicada, favorecendo sempre o senador afastado.

Confira 15 motivos alertados pelos trabalhadores:

1 – Em 2013, quando a candidatura de Aécio Neves se afirmava no ninho tucano e os apoios para o projeto político do neto de Tancredo Neves eram estabelecidos, o governo de Minas Gerais, então comandado pelo tucano Antonio Anastasia, desapropriou um imóvel da Rádio Del Rey, que pertence à família proprietária do Grupo Bel.

2 – A desapropriação custou R$ 1,09 milhão aos cofres públicos e o pagamento foi realizado em junho de 2013.

3 – Cinco meses depois o Grupo Bel (também proprietário das rádios 98 FM, CDL e outras empresas) comprou o jornal Hoje em Dia das mãos da TV Record.

4 – Durante a campanha presidencial de 2013 o jornal Hoje em Dia se posicionou acintosamente favorável à candidatura de Aécio Neves.

5 – Um exemplo: O jornal chegou a publicar uma pesquisa nonsense, que ia à contramão de todas as outras pesquisas de opinião e dava favoritismo a Aécio. A notícia manchetou o portal do jornal no dia 14 de outubro e, velozmente, a imagem da tela do portal do Hoje em Dia estampava a propaganda de televisão de Aécio Neves no dia seguinte.

6 – Outro exemplo: A demissão do jornalista Aloísio Morais do Hoje em Dia, no dia 31 de outubro de 2014. O jornal tentou demiti-lo por justa causa por comentários que ele compartilhou em uma rede social. O comentário criticava o instituto que teve a pesquisa abalizada pela publicação do Hoje em Dia e favorecia Aécio Neves. O jornal perdeu em todas as instâncias e Aloísio foi reintegrado ao trabalho, por determinação judicial, depois de 22 meses.

7 – Após derrota do PSDB, tanto na presidência quanto no governo estadual, o Grupo Bel decidiu vender o jornal Hoje em Dia.

8 – Antes de se efetivar a venda do jornal, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pediu que o empresário Joesley Batista, da JBS, comprasse o prédio do jornal. Segundo delação gravada de Joesley, o prédio foi comprado por um valor superfaturado. Ele chamou o local de: “predinho”, como passou a ser conhecido.

9 – Com os ativos da empresa liquidados, o grupo Bel fechou o parque gráfico, demitiu todos os funcionários da gráfica e não pagou os direitos trabalhistas.

10 – O jornal foi vendido para o ex-prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz, que é empresário da educação e conhecido por ter como prática dar calote em funcionários.

11 – Ruy Muniz, que chegou a ser preso acusado de fraude na saúde da administração da prefeitura de Montes Claros, assumiu o jornal e demitiu mais da metade da redação: 38 jornalistas.

12 – Os jornalistas não receberam nenhum direito trabalhista. Nem o salário do último mês que trabalharam.

13 – Ação judicial do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais pede que a responsabilidade pelo pagamento dos demitidos seja do atual proprietário, Ruy Muniz, e dos antigos donos do jornal, do Grupo Bel, que são capitaneados por Flávio Carneiro.

14 – Flávio Carneiro também foi citado na delação de Joesley e tratado como um “garoto de recados” para Aécio Neves. O empresário da JBS mandou Flávio falar com o senador para que ele parasse de pedir propina, pois eles estavam sendo investigados.

15 – Diante de uma armação articulada por políticos e empresários resta aos trabalhadores somente uma alternativa: a luta. Por isso, estamos aqui ocupando o prédio. Queremos apenas o nosso direito, que é o pagamento pelo que trabalhamos.