Revolução constitucionalista de 1932? Como assim? Por Jean Paulo de Menezes

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Há muito tempo escrevi sobre esta data. Mas isso já tem mais de 21 anos.

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Entretanto, todos os anos o 9 de julho é festejado. Ontem mesmo pela TV Cultura (não se enganem) recebi o chamado de todos os anos… Com aquele dedinho indicando a minha participação nos festejos. Intitularam de “Revolução Constitucionalista de 1932”! Uma revolução?

Uma revolução, para alguns autores, se trata de uma transformação radical nas estruturas de uma sociedade, mudanças radicais, de profundidade, ou seja, de transformações radicais dos alicerces que sustentam o funcionamento de uma determinada sociedade. Não é o mesmo que reformas, ou seja, transformações parciais na vida social, mudanças mínimas que procuram manter os alicerces que sustentam uma sociedade.

Em 1932 não ocorrera uma revolução. E também acho difícil sustentar que em 1932 uma série de reformas era real! Insisto na necessidade de darmos atenção a História para entendermos o tempo presente (o momento que vivemos).

O Brasil era governado por oligarquias (há séculos) que se alternavam no poder, mesmo diante de seus conflitos. Em 1929 uma crise do capital se estabelece apresentando para os anos seguintes suas mais brutais manifestações. A economia brasileira não estava isolada desta conjuntura de crise estrutural do capital (assim como hoje)… Com uma agenda fundamentalmente exportadora de gêneros agrícolas como o café (que não é um produto de primeira necessidade) havia que se garantir a taxa de lucro das oligarquias latifundiárias. Era necessária atenção especial do governo federal para as oligarquias, neste momento a do café!

Acontece que em 1929, diante da política de alteração oligárquica no poder da república brasileira, deveria ser o momento da oligarquia mineira substituir a aristocracia paulista do café. No processo eleitoral aristocrático vence os aristocratas do café deslocando os oligarcas mineiros do poder político da República. Isso faz com que a oligarquia mineira e seus aliados “confederados” sob o nome do sulino Getúlio Vargas reivindiquem a retomado da contagem dos votos que diante de uma série de particularidades acaba por desembocar em uma tomada do poder político por parte dos correligionários de Vargas: estamos em 1930.

A aristocracia paulista, inconformada com o golpe, articula uma campanha utilizando-se da sociedade no estado de São Paulo para manobrar um contra golpe em Vargas. A campanha se estabeleceu de ambos os lados (Aristocracia paulista X Governo federal capitaneado por Vargas). Como o golpe de 1930 que colocara Vargas como presidente deu vida a um governo provisório e sem uma constituição, os aristocratas paulistas (sobretudo do Partido republicano Paulista) articularam-se com a propaganda de que o governo federal era inconstitucional e que se fazia sem uma constituição. Esta deveria ser forjada para manter a democracia republicana. Portanto dizia o PRP “lutaremos por uma constituição, lutaremos por democracia”! E os trabalhadores? Onde estão diante disso tudo? Os trabalhadores estão no meio destas elites que com violência total não poupa o desenvolvimento de uma guerra entre os próprios trabalhadores! Grande parte dos trabalhadores (não todos) se colocaram como massa de manobra nas mãos de Vargas e do PRP para encaminhar uma luta aristocrática pelo poder da República. Chamo isso de guerra civil, não de revolução!

Depois de sacrificar parte da classe trabalhadora nesta Guerra Civil os aristocratas e oligarcas entram em um acordo e passam de inimigos à aliados (principalmente depois que Vargas cria o Conselho Nacional do Café). E os trabalhadores? Os que não morreram voltaram para suas casa, com medíocres medalhinhas no peito e até hoje, para os que ainda vivem, são tratados em todo 9 de julho como verdadeiros bibelôs de um passado ainda presente na política: são objetos de propagandas políticas eleitoreiras. São homenageados nos atos pela manhã e logo após o fim destas peças comemorativas, voltam para casa muitas vezes sem o dinheiro para o ônibus!

Assim se esconde a guerra civil e apresentam alegremente um dia cívico de comemorações. Comemorar o quê? A morte entre trabalhadores, seja eles paulistas, mineiros ou matogrossenses? O teatro de marionetes das oligarquias? Não há o que se comemorar desta data!

Este momento é de nos mobilizarmos juntos aos trabalhadores para uma Greve Geral! Ai sim quem sabe teremos uma data memorável de luta contra a exploração. Até lá não aceitaremos conto de fadas nem tragédias, pois faremos nossa própria história!

Por Jean Paulo Pereira de Menezes,

Militante da LIT e do PSTU, Oeste do Paraná

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